Onde ficam as alagoinhas? Brenda e eu não sabíamos ‘o’ Mas, como entendemos um tanto da ferramenta App Inventor, fomos convidadas por Manoel Teófilo, por sugestão de Jamille Cerqueira (que é das nossas, literalmente, rsrs) para dar uma oficina introdutória da ferramenta no Santíssimo I/O, evento que ocorreu na primeira semana de maio na faculdade Santíssimo Sacramento, lá em Alagoinhas.

Quer saber o que rolou? Não conhece essa ferramenta? Então, senta que lá vem história…

App Inventor é fruto de uma parceria entre a Google e o MIT, cujo propósito é possibilitar que pessoas que não tenham familiaridade com programação possam criar aplicativos para smartphones (para rodarem no Android). Tudo funciona na nuvem, então o principalmente inconveniente que você pode ter, se quiser utilizar é… precisa ter internet (e uma conta do Google).

E como se faz um app sem saber uma linguagem de programação “convencional”? Bem, a abordagem do App Inventor é o que se chama de programação por blocos. Isso significa que ao invés de digitar vários comandos e precisar lembrar toda a estrutura que vem associada a cada comando, uma parte dessa complexidade fica transparente, e é traduzida em pequenas peças coloridas, como em um quebra-cabeças, que você vai combinando para criar a lógica do seu programa. Na imagem abaixo, dá pra ver o exemplo de um trecho do app simples que levamos pra mostrar: um programinha para fazer desenhos em fotos tiradas com o celular.

O que dá pra ver ali? Bom, que quando as pessoas clicam nos botões nas cores azul, verde ou vermelho, isso faz com que a cor usada pelo pincel seja trocada para a cor clicada. Além disso, temos blocos para apagar a imagem atual e recomeçar tudo, e para tirar uma foto (e depois, automaticamente, transformar a foto tirada na nossa tela de pintura).

Além da lógica ser feita com blocos – o que reduz bastante a barreira inicial para começar a criar algo -, a ferramenta também segue o modelo de programar com base nas telas do aplicativo. O que isso quer dizer? Que a lógica está diretamente ligada aos elementos que aparecem na interface do usuário (a parte com a qual a gente interage :P). Assim, antes de partir para os blocos, a gente tem que definir como vai ser a cara de nosso programa: os botões, as funcionalidades, para que servirá cada coisa… Isso é feito escolhendo entre as opções oferecidas (e são MUITAS), entre caixas de texto, botões, uso de sensores (como o giroscópio, ou a câmera, ou o touch da tela), áreas de desenho etc., e arrastando e levando o que queremos para a área que representa a tela do celular. Depois a gente pode fazer outros posts mais detalhados. Por hora, fica o exemplo de nossa tela:

Dá pra ver agora que realmente é algo bem simples: três botões para escolher a cor do pincel (mas disso você já sabia, pois rolou spoiler), um espaço para rabiscar a imagem, e três botões para capturar uma foto para ser zoada, apagar tudo ou salvar sua obra prima.

É claro que aproveitamos esse gancho do próprio App Inventor para falar sobre a importância e utilidade de prototipar antes de partir pra lógica (ou código), porque, bem, a gente acredita nisso.

[E para compilar e passar pro celular? Eita! Também é bem simples, mas vamos deixar isso para um post mais aprofundado, porque eu tinha dito que não faria algo longo. Falhei. :x]

Voltando para a oficina, depois de apresentarmos o App Inventor e falarmos sobre prototipação, tivemos duas atividades práticas. Primeiro, em conjunto com todo mundo, fizemos esse aplicativo de zoar editar fotos tiradas na hora (baixar o app para editá-lo no App Inventor). Assim, toda a galera pôde explorar junta o que tinha acabado de ver, e tirar todas as dúvidas – e nós aproveitamos pra garantir que quem não tinha prestado atenção em algo iria ter mais uma chance de ver tudo.

Nós e a galera, ao final da oficina. 😀

Depois, um desafio curto – fazer uma calculadora simples, para operar as quatro operações básicas. Dessa vez, sem passo a passo nosso. Como não demos nem sugestão de tela pra essa, cada pessoa seguiu seus entendimentos e facilidades, alguns prezando mais pela apresentação da interface, outros fazendo bem mais do que havíamos imaginado, e outros, ainda, por já estarem mais acostumados programar com código, enfrentaram uns caminhos tortuosos… Mas, estando em duas, fomos conseguindo acompanhar todxs. Foi tão proveitoso que ouvi até falar que ia ter gente aproveitando os aprendizados para implementar um app que já fazia sucesso entre os estudantes do curso de SI da faculdade… 😀

Se você quiser ver em mais detalhes da apresentação, pode conferir nossos slides – Oficina App Inventor.

Manoel e as convidadas para a conversa sobre mulheres e tecnologia.

E aí, acabou, todo mundo feliz, descobrimos onde eram as lagoas da região, vamos pra casa? Nããão!! À noite, ainda participamos, com Jamille e outras convidadas, de um Bate papo sobre o empoderamento da mulher na tecnologia. Ou sobre nossas experiências, de todas, atuando na área. Também foi um momento interessante, e deu para saber um pouco do que rola por lá – eu confesso que conhecia pouco de Alagoinhas -, por um lado, e ver o quanto compartilhamos de desafios e lutas, por outro, enquanto mulheres em contextos ainda tão machistas.

Porém… Vou guardar elaborações sobre isso para outro post. [Nos cobrem, há muito a se conversar sobre isso.] Por hora, fica nosso agradecimento pelo convite, desejando que as sementes que ficaram por lá (e por cá) deem bons frutos, e que surjam outras oportunidades de trocas. =]

AH! Nos explicaram o que e quais eram as lagoinhas (ou alagoinhas?). Não deu tempo de visitá-las, mas nos disseram que a maioria está muito poluída (uma até é permanentemente rosa, devido aos dejetos industriais lançados), ainda que continuem sendo belas de se ver. E esse… é outro ponto sobre o qual há muito que conversar e aprender…


Juliana Fajardini

Uma pessoa em busca de se encontrar. E em busca de encontrar seus lugares no mundo, e como contribuir para construir outros mundos possíveis. Bacharel em Sistemas de Informação, com experiência em análise e elaboração de projetos; revisão e tradução (inglês e português); metodologias para start ups; manutenção de software; LaTeX y otras cositas más. Gosto de pedalar, mover o corpo, ler, escrever, poesias, comer, cozinhar, compartilhar, ver lugares, conhecer pessoas... Estou na OxenTI Menina porque... me acolheram e sentiram que posso contribuir <3 E porque... acredito que é preciso envolver-se para que a vida faça sentido, no meio de tanta coisa sem sentido neste mundo...

2 comentários

Irani Santos Silva · 22/02/2018 às 18:09

Quero saber se tem alguma oficina programa para esse ano. Sou mentora de um time de meninas interessadas em participar do programa technovation.

    Juliana Fajardini · 23/02/2018 às 02:40

    Olá Irani, este ano decidimos não participar to technovation, mas estamos à disposição para tirar dúvidas e fazer alguma oficina pontual, se vocês tiverem algum espaço! Entra em contato com a gente por e-mail: oxentimenina@gmail.com

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